domingo, 22 de março de 2009

Influências da TV na Educação de crianças e adolescentes

Alice Maria Figueira Reis da Costa
É notório que a TV é um canal de comunicação de amplo alcance na sociedade brasileira. Através das programações vinculadas por esta tecnologia é possível provocar uma interação ativa na vida do telespectador que com os avanços desta mesma tecnologia tem a oportunidade de interagir cada vez mais com este tipo de meio de comunicação.
Alguns modelos mais atuais possibilitam ao telespectador uma postura mais ativa, como a visualização de vários canais simultaneamente, seleção de horário para a programação desejada entre outras opções há também programas que provocam a interação através de outras mídias como o telefone ou mesmo o computador para responder enquetes, fóruns, envio de e-mails e as demais possibilidades oferecidas pela Internet; contudo o poder de alienação orientado de maneira sutil pela mídia brasileira vem sofrendo inovações que intencionalmente conduz o ritmo de vida da maior parte da sociedade como um todo e cria uma dependência passiva na postura do telespectador, ao mesmo tempo, em relação as suas programações, despertando no sujeito a necessidade de ter um aparelho televisivo em cada cômodo da casa, no carro, além de o influenciar na organização de sua própria vida, de acordo com a programação que deseja acompanhar. Veja como Setzer (2000) trata este assunto
Do ponto de vista do telespectador, pode-se constatar que das atividades interiores pensar, sentir (de sentimentos) e querer (volição que leva a ações, desde a concentração do pensamento em certos assuntos escolhidos como a movimentação dos membros), apenas a segunda está realmente em atividade. De fato, a imobilidade física leva o telespectador a não exercer nenhuma ação. Nem a de concentrar os pensamentos, pois estes estão abafados, já que normalmente a TV induz um estado semi-hipnótico. Esse efeito, que é óbvio quando se observa uma pessoa assistindo um programa (ela fica em geral com cara de bobo, principalmente as crianças, que têm rosto mais maleável), foi constatado cientificamente infelizmente por poucas pesquisas de efeitos neuro-fisiológicos da TV. H.E.Krugman (‘Brain Wave Measurements of Media Involvement’, Journal of Advertising Research, 11:1, Feb. 1971, pp. 3-9), usando o movimento dos olhos e eletro-encefalograma, mostrou que a TV induz rapidamente (cerca de ½ minuto) um estado semi-hipnótico ou de sonolência, de desatenção (SETZER, Valdemar W., 2000).
O diálogo familiar se reduz em detrimento da programação que é vinculada através deste meio de comunicação. As atividades de brincadeiras para crianças tomam um outro perfil que numa sociedade aonde o tempo é customizado e o tempo de conexão em variados aparelhos tecnológicos é cada vez maior e mais intenso, como acontece quando os pais precisam realizar outras tarefas que não seja a de brincar com seu filho ou mesmo de permitir que o filho brinque e desorganize o espaço doméstico; neste cenário é preferível que esta criança fique quietinha assistindo um desenho, filme ou mesmo jogando vídeo game sem haver uma seleção prévia e rigorosa com o que a criança vai assistir e conseqüentemente uma reflexão sobre as influências que um determinado tipo de programação pode exercer no comportamento da criança em formação.
O que também pode ser observado diante da intensidade da concentração em frente à TV, que dispara uma série de cores, movimentos, idealizações capazes de envolver e distanciar o telespectador chegando a ponto de ser chamado por outra pessoa que esteja ao seu lado e não conseguir responder imediatamente, por vezes ele é chamado repetidamente até ter a sua atenção voltada para o outro que o chama.
A reformulação dos programas infantis está muito próxima ao que se deseja para o futuro não só do país, mas da própria humanidade. Mundialmente constata-se o aumento de comportamentos agressivos, intolerância entre pessoas, violências em diversas ordens e níveis têm influências diretas do tipo de programação e atividade a que estas crianças e adolescentes têm assistido nos últimos anos.
O ideal é que haja uma reformulação destas programações por parte das emissoras que vinculam programas que induzem a agressividade, preconceitos, práticas ilícitas e valores que em algum momento podem prejudicar a vida do próximo indivíduo e mesmo que esta não aconteça, os responsáveis e educadores devem de fazer uma pré-seleção destes programas para que seus filhos não tenham acesso a estes programas sem uma reflexão crítica, um olhar de estranhamento em relação ao que está se assistindo.

Referências:
SETZER, Valdemar W.Tv e Violência: Um Casamento Perfeito, 2000. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 09.

SETZER, Valdemar W.Meios Eletrônicos e Educação: Uma visão alternativa. São Paulo: Ed. Escrituras, Coleção "Ensaios Transversais", Vol. 10, 2001, 288 pgs.

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